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REFLEXÕES CONSERVADORAS # 01

Durante muito tempo em nosso triste país, ser chamado de conservador era uma forma [retórica e rasa] de insultar uma pessoa cujo espectro político não estava alinhado com os passos turvos que eram reinantes no meio bem pensante.
Em muitos círculos deste feitio, até hoje é assim.
Bem, seja ontem ou hoje, o termo conservador levanta muitas querelas, sem que seja – necessária e devidamente – definido e compreendido.
Aliás, se perguntarmos para nós mesmos quais seriam os grandes nomes do pensamento conservador que nós conhecemos e, por que não, estudamos, com toda certeza não virá nenhum nome em nossa mente. No melhor dos casos, pode-se citar o nome de uma e outra figura que esteja sendo, no momento atual,apontado [a contra gosto] no cenário cultural e político como tal o que, por si, demonstra que não apenas não sabemos claramente o que seria o tal do conservadorismo, como também ignoramos o que seja uma tradição intelectual.
Noves fora zero, podemos de antemão definir o conservadorismo não …

DO PÓ AO PÓ

Há muitas coisas na vida que são fáceis de serem feitas; outras, nem tanto. Uma dessas coisinhas que somos capazes de realizar com grande facilidade é esquecermos da pequenez de nossos projetos, e planos pessoais, diante de toda magnificência da criação.
Sim, a soberba, desde o princípio dos tempos, vê-se encalacrada em nossa miserável alma e, por isso, tornamo-nos susceptíveis a querermos usurpar o lugar de Deus das maneiras mais variadas e maliciosas pensáveis. E bota maliciosa nisso.
A soberba que nos habita, e nos assalta frequentemente, infla nossa alma com um cadinho de conhecimento raso em misto com um sentimento de indignação epidérmico, seletivo e, num estalar de dedos, nos tornamos um indivíduo que crê candidamente que sabe o que deve ser feito para que o mundo se torne livre de todas as injustiças, mas que, ao mesmo tempo, não sabe e não quer saber, o que deve ser feito para nos tornarmos uma pessoa minimamente melhorzinha.
E o que torna esse fenômeno mais interessante é que q…

RABISCOS DUM DIÁRIO SEM CAPA # 014

[18/02/2019]: Filosofar é meditar sobre a morte. Dizem que é isso. Sim, é isso mesmo. Mas esse, talvez, seja o último assunto que, na atualidade, agite as mentes bem pensantes com toda sua criticidade. Se, de fato, tivéssemos diante de nossos olhos a imagem da morte, a realidade da nossa mortalidade, provavelmente não daríamos a importância que damos para inúmeras querelas e questiúnculas que acabam ocupam o centro de nossas preocupações.
[18/02/2019]: Evitemos o bulício dos homens; evitemos, o quanto pudermos as conversas ociosas. As razões para esse tipo de cuidado são muitas, mas lembremos, nesse momento, de apenas uma: o tempo despendido para o cultivo duma conversa fiada - ao menos parte desse tempo - poderia ser muitíssimo bem utilizado em outras atividades; atividades bem mais interessantes e, porque não dizer, edificantes.
[18/02/2019]: Se não sabemos o que fazer; se, por acaso, nos sentimos desaminados com tudo, com todos e, principalmente, conosco, isso não é motivo para entre…

LARGADOS NO MEIO DO MATO

Certa feita, estava numa lanchonete com familiares e amigos, fazendo aquilo que todo mundo faz num estabelecimento comercial desse feitio. Pedimos uns belisquetes e algumas bebidas e ficamos proseando e rindo.
Lá pelas tantas me dei conta que havia uma presença que ficava, sutilmente, acompanhando o que fazíamos junto à mesa. Sim, era ela mesma: uma televisão.
Bem, ignoramos a sua presença e, acredito, que ela não ficou magoada.
Passado um punhado de tempo, um infeliz duma outra mesa teve a ideia infame de pedir para trocar de canal. Trocou; trocou de novo, mais uma vez, outra e, enfim, parou num canal que estava exibindo um programa chamado “Largados e pelados”.Isso mesmo. Um bando de pessoas largadas no meio do mato, pelados, tendo de se virar pra sobreviver.
Bem, vi o que era e então, reuni forças para, novamente, voltar a ignorar aquela caixinha maldita e continuar a prosear com os meus, tendo em vista que o infeliz que pediu o controle do televisor encontrou o que ele tanto queria as…

RABISCOS DUM DIÁRIO SEM CAPA # 013

[24/02/2018]: Ainda há quem insista em defender o regime tirânico de Maduro; regime esse que está matando à míngua o povo venezuelano; regime que, de modo cínico e silente, tortura homens, mulheres, crianças e idosos da Venezuela. Nessa lista estão líderes e correligionários do PT, do PSB, da CUT, do MST e tutti quanti. Segundo esses, e em resumidas contas, o que está acontecendo diante de nossos olhos é uma conspiração imperialista contra a "democracia bolivariana". Tal defesa deixa claro, à vista de todos, o que essa gente entende por democracia. Literalmente o governo do demo.
[24/02/2019]: Democracia bolivariana seria tão somente, respeitando os princípios da igualdade, deixar o povo perecer de fome e fenecer por falta de medicamentos. Ou seja: todos igualmente passam fome, carecem de tudo e esmorecem de medo. Entendam bem, o povo vive assim. O povo. Não aqueles que se colocam acima de tudo e de todos, mentindo para Deus e para todo mundo.
Escrevinhado por Dartagnan da Sil…

UM PEDREGOSO CAMINHO

Não tenha presa para apresentar para si e para os outros uma conclusão sobre esse o a respeito daquele assunto. A sabedoria não reside na velocidade em dar uma resposta. Ser capaz disso não deixa de ser uma forma de astúcia, mas não é uma expressão de sabedoria. A vereda da sabedoria está muito mais próxima da capacidade de suportar o estado de dúvida do que dar uma resposta na lata pra “lacrar” ou “mitar”.
Aliás, como nos ensina o dito popular, a presa seria a inimiga da perfeição. Sim, como é. Se estamos apresados em termos uma resposta para nós é porque estamos muito mais preocupado com outras coisas do que com a verdade. Se queremos mostrar para os outros o mais rápido possível é porque estamos muito mais incomodados com a imagem que irão fazer de nossa figura do que com a formosura da verdade.
Se assim procedemos, não há dúvida que estaremos muito mais interessados com a imagem que edificaremos sobre nós mesmos e que será apresentada para os outros do que o conhecimento da verdade …

NUMA CASA AMARELADA

Não é possível uma conversação minimamente razoável com um indivíduo afetado até o tutano por uma atmosfera dominada por uma histeria coletiva. Aliás, torna-se impensável um bate-papo bem humorado nesta condição.
Sem isso, sem o tal do bom e velho senso de humor, o entendimento humano torna-se muitíssimo limitado.
Mas o que tem que ver rir com diálogo, aprendizado e conhecimento? Tudo cara pálida. Tudo. Tudo porque quem gosta de tristeza é o diabo.
Explico-me: em regra, quando perdemos, ou distorcemos, o nosso senso de humor, acabamos por perder, sem querer querendo, o senso das proporções. Desse modo, acabamos exacerbando, indevidamente, a valorização de determinadas questões e minimizando noutras tantas.
Os pequeninos, de certo modo, são assim. Grande parte do entendimento deles é fora de proporção. Quem tem filhos pequeninos, ou convive com crianças em tenra idade, sabe muito bem do que estou falando. Para eles, esperar por um quitute é um sufoco sem tamanho; perder um desenho animado …